terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Transição de períodos

Vivemos numa fase de transição de períodos geológicos. Os cientistas Jan Zalasiewicz e Mark Williams afirmam que estamos mudando do Holoceno, iniciado após o fim da última era glacial, para o Antropoceno, que é marcado pela influência humana. Já no campo esportivo, a transição ocorre nas pedidas salariais dos treinadores de futebol. Os renomados e seus seguidores – os técnicos emergentes no futebol brasileiro – pedem salários mirabolantes, fora da realidade do futebol brasileiro. Assim, a tese dos cientistas se confirma, pois alguns homens ou “animais” sobreviveram, definitivamente, com raras exceções, a “Era do Gelo”, e são influências nos bancos de reserva, deixando seus registros fósseis.
As incoerências e imperfeições táticas, a reclamatória de falta de pré-temporada e as incompreensíveis alterações de jogadores, deixam insustentáveis as permanências de vários técnicos à frente das equipes. As péssimas campanhas ameaçam os cargos dos treinadores. O entendimento dos “renomados” e “emergentes” treinadores é de que devem existir salários altos para o ingresso deles em clubes, mostrando que são qualificados. Mas, esquecem eles que as leis ressalvam os direitos trabalhistas dos técnicos de uma possível demissão.
Salários de quatrocentos mil reais, outros de trezentos mil e os mais modestos, de cento e cinqüenta mil, mostram a nova realidade do futebol. Um treinador justifica que merece a remuneração pelo acúmulo de funções, fato até então raro no futebol, sendo treinador da equipe, e responsável pelo futebol da entidade. Ou seja, o “superpoderoso do futebol”. Outro justifica que é emergente e, por mais que não tenha títulos, acredita que vive uma boa fase e pode passar seu aprendizado em prol da equipe contratante.
Mas, um alerta, temos que entender, também, que a situação de muitos técnicos é irregular no Brasil, pois temos uma regulamentação para o exercício de um profissional de educação física, e outro para um treinador de futebol. Porém, a lei desportiva nº. 8650 de 22 de abril de 1993, não é cumprida. Vários bons jogadores e hoje “treinadores” descumprem, seja por desinformação ou malícia, e continuam a dar seu “caldinho” nos gramados. A lei 8650 diz que o exercício da profissão de treinador de futebol fica assegurado, preferencialmente, a quem tem diploma de educação física, ou experiência de cinco anos, antes da revogação dessa lei, ou mesmo quem tem um curso reconhecido por entidade análoga. Assim, alguns se beneficiam desta brecha. Na teoria quem não tem diploma de Educação Física expedida pelo Conselho Federal de Educação Física, o CONFEF, não pode exercer a profissão.
Mas, dentro dos gramados, se enganam aqueles que pensam que os “registros fósseis” deixados nos bancos, ilustram um vencedor. Registros mostram que aquele homem elegante de terno, ou mais modesto com a camisa da agremiação esportiva, são rodados no futebol. Uns obtiveram campanhas elogiáveis, com trunfos e títulos. Outros apresentam retrospectos pifeis. Os fósseis deixados apresentam treinadores que fingem que trabalham, com algumas diretorias fingindo que pagam.
Seria maldade dizer que vários treinadores só podem treinar time de várzea. Pois, alguns não merecem nem isso, por apresentarem rótulos ultrapassados, metodologias e conhecimentos insuficientes, além da falta de ambição.
Enquanto treinadores qualificados são raridades, continuamos com a dança de técnicos no futebol, com os rodízios incessantes. Enganam-se os que acreditam que as críticas derrubam treinadores, errado, através dos péssimos resultados eles caem. Novamente a influência humana prepondera. A crônica esportiva só faz sua parte que é criticar, conscientemente e independente, visando o bem da entidade esportiva.

2 comentários:

Carol disse...

Nossa que show Gabriel!!!
Eu entendo pouco de futebol, mas sei que tudo que você fala é a mais pura realidade!

Unknown disse...

Meus parabéns pela iniciativa de fazer deste Blog um espeço de muita informação e opinião!!!
E pelo jeito, esse espaço começa quente na em relação aos técnicos brasileiros. Parabéns e continue firme!! Abraços
Wcirqueira