domingo, 14 de setembro de 2008

Braçadas de esperança


Os olhares da natação paraolímpica brasileira que estavam voltados para o nadador Clodoaldo Silva, começam a se atentar para outro brasileiro, o carioca André Santos. A revelação das piscinas, de 23 anos, do clube Pinheiros, vem despontando nas piscinas do Cubo d’Água, em Pequim. O atleta da categoria S10 entrou para o paradesporto em 2004, quando apresentou seqüelas de poliomielite e paralisia infantil na perna esquerda.

Antes mesmo do problema motor, o nadador competia sem deficiências físicas no Troféu Brasil e José Finkel. Em 2004, André Brasil descobriu o paradesporto, durante as Olimpíadas de Atenas, na Grécia. Porém o para-atleta brasileiro despontou em 2005, quando obteve a quebra de três recordes mundiais em três etapas disputadas.

Se as piscinas favoreciam André, os bastidores reservavam uma triste surpresa. Um equívoco em sua avaliação funcional o impossibilitou de competir com outros portadores de deficiência. Foram os sete meses mais doídos para o nadador, que chegou a desistir de competir. O atleta continuou treinando para manter a forma física, mas a motivação para entrar na água não existia. Assim, as piscinas ficavam distantes a cada dia do para-atleta.

Mas, em 2005, após o Comitê Paraolímpico Brasileiro assumir o erro, chegou a hora de se desculpar e verificar em qual classificação funcional André se esquadraria. O atleta seguiu para o torneio de Dubai, acompanhado do presidente do Comitê Paraolímpico das Américas, Andrew Parson e duas classificadoras. Na competição, André conquistou quatro medalhas de ouro e duas de bronze.

Neste domingo, nas Paraolimpíadas, André conquistou a quarta medalha, um ouro nos 50m livre. Antes disso, ele já havia levado o ouro nos 100m borboleta e 100m livre, além da prata nos 200m medley. O brasileiro é recordista mundial nos 100m borboleta, 50m e 100m livre.

Na sua opinião, os atletas paraolímpicos que conquistaram até aqui 12 medalhas de ouro, 9 de prata e 14 de bronze, total de 35 medalhas, estão dando um banho nos brasileiros que competiram em Pequim, sem deficiências físicas?

Nenhum comentário: