Receios com a Copa do Mundo na África
Desmistificar a impossibilidade de sediar uma Copa do Mundo. É isso que a África do Sul mostra desde o dia em que foi anunciada pela Fifa como sede da Copa de 2010. A insegurança da conclusão de obras, os conflitos internos, reajuste de custos e uma crise energética, permeiam no país. Organizadores afirmam que são somente obstáculos de quem avista de fora a situação interna do país, mas não são preocupações dos organizadores e garantem que a África do Sul está no caminho certo.
“Esta Copa do Mundo não pode fracassar”, disse Irvin Khoza, presidente do comitê organizador (LOC), durante uma emotiva coletiva de imprensa em Johanesburgo, após autoridades da Fifa terem visitados estádios que abrigarão o torneio. "Passaremos de mão em mão para garantir que esta Copa do Mundo seja um sucesso", afirmou.
Os temores sobre a impossibilidade do término das construções de 10 estádios, em razão do orçamento e do prazo, os níveis alarmantes de crimes violentos e os cortes de energia – deixaram milhões de pessoas sem eletricidade – são influencias externas que influem nesse descrédito da África sediar o maior evento do futebol mundial.
Uma garantia dada pelas autoridades sul-africanas é que os cortes energéticos pelas indústrias geradoras do país não serão preocupação para a disputa do torneio, além disso haverão geradores e os jogos noturnos ocorrerão sem problemas.
O país espera atrair cerca de 450 mil pessoas para o campeonato.
Receios de cineastas com o Espetáculo
Após Steven Spielberg ter se desligado do cargo de conselheiro para os Jogos Olímpicos de Pequim – dia 12 de fevereiro – devido à política chinesa em relação à Capital Danfur (ler Problemas de Pequim ao lado) e os índices de direitos humanos, um trio de cineastas defendeu sua participação no projeto cinematográfico, garantindo que estão preocupados com os preparativos do espetáculo do maior evento poliesportivo do planeta.
O iraniano indicado ao Oscar Majid Majidi, o popular diretor de Hong Kong Andrew Lau Wai-Keung e o britânico Daryl Goodrich, que fez um influente filme sobre a candidatura de Londres para sediar os Jogos de 2012, estiveram na capital chinesa para a pré-estréia do projeto "Vision Beijing."
"Fiquei chocado e surpreso que Steven tenha dado para trás de seu trabalho nas Olimpíadas de Pequim", afirmou o cineasta Lau que produziu o filme “Infernal Affairs” e que foi refilmado em Hollywood sobre o título de “Os Infiltrados”. "Está claro que a Olimpíada tem tudo a ver com esportes e nada com política.", complementou.
O iraniano Majidi disse não ter opinião sobre a saída de Spielberg. "As pessoas têm visões diferentes", disse. "Alguns tomam decisões por motivos particulares. Acredito que a arte não deva ter relação com a política. Ao contrário, a arte pode ser prejudicada se estiver conectada a algo assim.” Majid teve seu filme indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o “Filhos do Paraíso”.
O filme de Goodrich para Londres 2012 é considerado importante no sucesso da candidatura, mas ele não acha que seu novo curta, um dos cinco no projeto Vision Beijing, possa ser classificado como propaganda. "O respeito aos direitos humanos é absolutamente essencial em qualquer parte do mundo, isso não é negociável", afirmou. "Fui convidado para fazer um filme sobre esporte, sobre crianças e para homenagear os Jogos Olímpicos. É o que farei, e foi por esse motivos que vim a Pequim e me diverti muito”. "Tive liberdade completa com meu tema, no que escolhi firmar e como decidi filmar", disse o britânico.
Receios com Boicotes
Políticos e ativistas solicitam um boicote às Olímpiadas como forma de protesto contra a violação dos direitos humanos, a liberdade religiosa e o conflito nas regiões de Danfur e Mianmar.
O secretário do Exterior britânico, David Miliband, vêm sendo pressionado por grupos de defesa dos direitos humanos durante sua viagem de deis dias a Hong Kong, Xangai, Chongpinq e Pequim. Miliband se diz contrário a um boicote, entretanto discutirá direitos políticos e civis com autoridades chinesas nessas capitais visitadas e quer saber "como elas vêem o desenvolvimento político e o lugar dos direitos políticos e civis individuais dentro de seu sistema”. "Não sou favorável a um boicote olímpico. Sou a favor do engajamento com a China e a colaboração internacional para reforçar os potenciais benefícios da globalização", alertou Miliband em seu blog.
Pequim investe na indústria petrolífera do Sudão e fornece armas a região. Se alguns entendem que pretensões políticas como essa sejam alvo dos políticos chineses, Pequim rejeita a idéia que o evento servirá para influenciar sua política. O presidente chinês Hu Jintao mencionou o termo “democracia” 62 vezes em seu discurso no Congresso do Partido Comunista, retomando o que disse em outrubro de 2007, quando enfatizou a necessidade da democracia intrapartidária ao nível em base.
"Na visão britânica, a responsabilidade democrática e os direitos individuais são um baluarte da estabilidade de um partido político. Elas garantem espaços para a expressão de insatisfação dentro do sistema, em lugar de forçar as pessoas a buscar alternativas fora dele", disse Miliband.
Abraços,
Gabriel Bozza

2 comentários:
Esse blog tem sido para mim uma fonte segura de informações não apenas esportivas mas de tudo que envolve o assunto, assim como política e cinema, de formas indiretas, porém persistentes. Conhecendo o Gabriel como conheço, posso confiar em suas informações tanto quanto em sua imparcialidade.
POsso dizer o mesmo... realmente o trabalho desenvolvido pelo Gabriel esta tendo um elevado teor de jornalismo profissional...
e certamente as noticias lidas aqui vão além do esporte...
Esta materia em especial mostra com clareza os receios quanto a copa do mundo, e o que é mais interessante, em varios aspectos diferentes!
Estou de certa forma preocupado quanto a copan o Brasil em 2014
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